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Desenvolvimentos em Renováveis Acelera a Transição Energética de Angola

Também disponível em inglês

Angola – a terceira maior economia Sub-Saariana, um grande exportador de petróleo e membro da OPEC – tem colocado o aumento ao acesso à eletricidade como uma importante prioridade nacional, almejando 9,9 GW de capacidade de geração instalada e 60% de taxa de eletrificação até 2025. Apesar da dependência em recursos de petróleo offshore – contribuindo em 30% no PIB nacional e representando mais de 95% do total das exportações e 52% das receitas fiscais – o país está fortemente comprometido com o uso de energias renováveis para apoiar o sistema nacional de eletricidade.

Atualmente, Angola possui uma capacidade de geração de energia instalada de 6,143MW, sendo 56% hidro (3,440 MW), 12% gás (750 MW), e uma combinação de energia solar, eólica, biomassa e resíduos contabilizando 32% (1,965 MW). A atual taxa de acesso à eletricidade no país é 45%, com uma taxa de eletrificação de 65% em áreas urbanas e seis por cento em áreas rurais. Contudo, estudos de mapeamento conduzidos em 2014 revelaram o potencial de 55 GW de energia solar no país, 3 GW de energia eólica e 18 GW de hidroenergia.

Apesar deste potencial, Angola enfrenta diversos desafios que devem ser enfrentados, incluindo a solvabilidade de utilidades, tarifas que reflitam custos e o risco da moeda local. Contudo, projetos de larga escala implementados desde 2017/18 contribuíram fortemente para a transição energética de Angola. A usina de gás natural de ciclo combinado de Soyo e o projeto de energia hidrelétrica de Laúca adicionaram 750 MW e 2.1 GW, respectivamente, para a diversificação da matriz energética do país.

À medida que a população de Angola aumenta e sua economia cresce, a demanda por energia está projetada para crescer de 103.000 barris de petróleo equivalentes (BOE) em 2020 para 270.000 BOE em 2035 e 660.000 BOE em 2050. Em uma aposta para suprir a demanda crescente e os objetivos de eletrificação, Angola está, portanto, optando pela integração de renováveis com combustíveis fósseis em sua transição energética.

Energia Renovável: Projetos e Potencial

Fontes de energia renovável estão preparadas para suprir a demanda rural – onde a conexão com a rede não é viável – através do desenvolvimento e implementação de micro e mini redes. Em Junho de 2019, a empresa italiana de energia Eni colaborou com a empresa nacional de hidrocarbonetos de Angola Sonangol para desenvolver a Solenova, uma parceria para implementar projetos de energia renovável no país. O primeiro projeto da entidade inclui a instalação de uma usina fotovoltaica (PV) de 50-MW na província meridional angolana de Namibe. Em Setembro de 2019, o Ministro de Energia e Água S.E. João Baptista Borges anunciou os planos de Angola para incentivar o setor privado a instalar 30.000 sistemas solares PV fora da rede nas áreas rurais do país para a produção de 600 MW de eletricidade solar em 2022.

A capacidade de geração de energia de Angola é amplamente constituída por hidroenergia, o qual, na última década, quadruplicou a capacidade nacional de geração instalada. O Governo de Angola observou o potencial da hidroenergia no país, que é estimada em 18.2 GW, do qual 20% está atualmente em uso. De acordo com o relatório de avaliação do Suitable Energy Fund for Africa (SEFA) do Banco para o Desenvolvimento Africano, conduzido em Dezembro de 2020, existem 100 localizações para mini estações de hidroenergia identificadas pelo Governo Angolano que estão preparadas para a geração cumulativa de 600 MW somente à partir das mini-hidros. Especialmente, a Estação de Energia Hidrelétrica Caculo Cabaça é uma instalação planejada de 2,172 MW atualmente em construção na província setentrional de Kwanza. Desenvolvida pelo Ministério de Energia e Água (MINEA) com um investimento estimado de $4.53 bilhões, comissionamento do projeto é esperado em 2024.

Além disso, a Agência Internacional de Energia Renovável apontou em seu relatório Africa 2030 que o potencial abundante de energia solar da África pode gerar o equivalente a 10 TW de capacidade instalada no continente. A energia solar é considerada como um componente essencial para a estratégia nacional de Angola em sua transição para energia renovável. O MINEA anunciou uma estratégia com o objetivo de instalação de 142 sistemas PV solares que entregarão 534.6 KW para centros médicos, escolas, prédios administrativos e infraestrutura. Como parte do 2025 Vision, o Governo de Angola definiu o objetivo de instalar 100 MW de capacidade solar, dos quais 30 MW estarão fora da rede. A Total Eren da França – subsidiária da Total SA – em parceria com Greentech-Angola Environment Technology estão colaborando na construção de uma usina de energia solar de 35 MW na província angolana da Huíla. A energia gerada por esta usina tem previsão para contribuir de forma importante para o plano de energia renovável de Angola e reduzir o déficit de eletricidade no país.

Além de hidro e solar, há uma grande oportunidade para Angola desenvolver seu potencial de energia eólica. O relatório de avaliação do SEFA indica que 100 MW podem ser gerados a partir de duas a cinco fazendas eólicas na parte meridional do país.

Energy 2025 Vision de Angola

O Governo de Angola implementou o plano Energy 2025 Vision, uma estrutura completa para a expansão da taxa de eletrificação do país em 60% e o aumento na capacidade instalada em 9.9 GW em 2025, utilizando 66% de fontes hídricas, 19% gás natural, oito por cento energias renováveis e sete por cento energia térmica. O Governo prevê que, sob este plano, o setor de energia receberá $23 bilhões em investimentos – $12 bilhões em geração, quatro bilhões em transmissões e $7,5 bilhões em distribuição. Em consequência, o plano prevê que a energia renovável contribuirá em 70% pela capacidade instalada no país.

Durante o seminário virtual Angola+Green 2021, organizado pela presidência portuguesa do Conselho da União Européia, S.E. Ministro Borges identificou a diversificação do mix de energia e acesso universal à eletricidade como uma prioridade para o país da África Central. Além disso, para conseguir a taxa de eletrificação universal de 60% em 2025, Power Africa e o Banco para o Desenvolvimento Africano estão trabalhando com o Governo de Angola para desenvolver e expandir infraestrutura e facilitar novas conexões de eletricidade. A colaboração irá avaliar 1.000 MW de energia potencial pelo país para melhorar o acesso à eletricidade e fortalecer a viabilidade financeira do setor.

Desafios para o Desenvolvimento

Na sua trajetória atual, Angola está a caminho de ver a sua taxa de eletrificação aumentar de 52% em 2030, 68% em 2040 e 80% em 2050, de acordo com o Institute for Security Studies. Sem esforços ou investimentos adicionais, o país não será capaz de aumentar a taxa de eletricidade de 60% em 2025.

A maioria da população de Angola com acesso à eletricidade está localizada nas 18 capitais provinciais, com 70% sendo em Luanda. De acordo com Agência Americana para Desenvolvimento Internacional (USAID), os custos para fornecer eletricidade em Angola são altos na casa de $220 por MWh distribuídos, que é 60% mais alto do que valores de referência. Alta variabilidade e custos, perdas técnicas e aumento da indisponibilidade da rede, em conjunto com a inadequação e ineficiência da infraestrutura de geração do país, têm sido desafios para a transição energética de Angola.

Para diminuir o peso do alto custo do fornecimento de energia, o Governo de Angola implementou uma intensa política de subsídio para compensar empresas em operação e proteger consumidores dos altos custos da eletricidade devido a grande dependência da população em geradores à diesel em conjuntos com ineficiências dentro da infraestrutura do setor. Além disso, para destrancar seu potencial de energia renovável, Angola precisará da implementação de investimentos privados em conjunto com o estabelecimento e institucionalização de estruturas relevantes para alcançar seus objetivos previstos no plano 2025 Vision.

Em vista destes desafios, o Governo de Angola formalmente requisitou assistência da SEFA para encorajar investimento privado na geração de energia renovável para reduzir a dependência do país nos seus já reduzidos recursos fósseis de combustíveis. A SEFA concordou em prestar assistência técnica para desenvolver um ambiente que permita projetos de parceria entre Produtor Independente de Energia/Público-Privado e considerem questões de capacidade de construção em procurações, implementação de design e monitoramento.

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Matthew Goosen

Matthew Goosen

Matthew Goosen is a Video Editor and Content Writer at Energy Capital & Power. He holds an Honours Degree in Film and Media Studies at the University of Cape Town and is currently undergoing his Masters Degree. Born in Pretoria and raised internationally, he has been living in Cape Town since 2013.

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